quinta-feira, 19 de abril de 2012

Impactos das mudanças climáticas na biodiversidade da Mata Atlântica

A Mata Atlântica foi uma região submetida a eventos sequenciais de fragmentação de ambientes e consequente especiação de diferentes organismos, em parte devido a sucessivas mudanças no clima ocorridas no passado.
Muito embora a dimensão física dos efeitos das mudanças climáticas possua contorno bem definido (Crowley, 2000), o conhecimento sobre seus impactos na biodiversidade pode ser considerado insatisfatório. Há, porém, um consenso com relação ao fato de que os processos ecológicos e a distribuição, abundância e persistência de muitos organismos serão negativamente afetados (McLaughlin et al., 2002; Root & Schneider, 2006). Em nível global, respostas potenciais às mudanças climáticas têm sido examinadas, levando‐se em consideração, primordialmente, espécies e habitats específicos (e.g., Visser et al., 1998; Iverson et al., 1999).
As aves são um grupo de organismos particularmente sensíveis ao clima e, portanto, bons indicadores de alterações climáticas (Berthold et al., 2004). De acordo com Wormworth & Mollon (2006), há fortes evidências de que o aumento de 0.8°C registrado na temperatura global, no século passado, tenha impactado negativamente o comportamento, distribuição, dinâmica populacional e reprodução de algumas populações. A maioria das evidências indica que as mudanças climáticas esperadas por ocorrer até 2100 resultarão em mudanças na distribuição de espécies, declínios populacionais significativos, elevadas taxas de extinção, perturbações na relação com predadores, competidores e parasitas (Wormworth & Mollon, 2006) e no sucesso reprodutivo (Julliard et al., 2009).
As mudanças climáticas afetarão, também, a biodiversidade de forma indireta, em função, por exemplo, da elevação do nível dos oceanos e de mudanças no regime do fogo, na vegetação e no uso da terra. Em se duplicando a concentração de CO2 na atmosfera, admite‐se que as mudanças climáticas venham a ser responsáveis pela destruição de algo em torno de 35% dos habitats mundiais (Malcolm & Markham, 2000).
Via de regra, os estudos que se debruçam sobre os impactos das mudanças climáticas globais na biodiversidade apontam para três tipos de respostas básicas dos organismos: a) extinção; b) adaptação às novas condições de clima (fisiológica e/ou geneticamente); e c) deslocamento (migração) para regiões onde as condições climáticas pretéritas eventualmente prevaleçam.
A extinção de espécies ocorre pela incapacidade dos indivíduos de se adaptarem, de imediato, às mudanças do clima, que transcorrerão em um espaço de tempo relativamente curto. No segundo caso, as espécies não seriam severamente afetadas ou, ao contrário, poderiam até se beneficiar, expandindo sua área de vida, em processos de adaptação pela seleção natural de genótipos mais afeitos às novas condições climáticas. No terceiro caso, as espécies responderiam às mudanças climáticas alterando sua distribuição no espaço, acompanhando as mudanças geográficas de seus respectivos nichos ecológicos.
A conservação da diversidade de ambientes naturais e da biodiversidade associada, entretanto, vem sendo severamente afetada por atividades antrópicas variadas, cujos reflexos negativos se manifestam no crescente número de espécies da fauna e flora vulneráveis ou criticamente ameaçadas de extinção na região. Neste cenário, os impactos das mudanças climáticas aumentam as chances de extinção, particularmente de espécies com reduzida ou ausente capacidade de locomoção, associadas a espaços geográficos restritos e particulares ou incapazes de efetuar ajustamentos fisiológicos.
Avaliar os efeitos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade, porém, não é matéria trivial, uma vez que há um grau elevado de incerteza relacionado à congruência dos modelos climáticos futuros em relação aos modelos matemáticos que tratam da distribuição potencial de espécies.
De um modo geral, modelas as modelagens matemáticas não levam em consideração uma série de variáveis ambientais, tais como barreiras geográficas naturais (como empecilho a migrações) e processos ecológicos e evolutivos complexos (e.g., competição e mutualismo). Influências não‐climáticas de caráter antropogênico, como mudanças no uso do solo, fogo, pestes e doenças, são prováveis inibidores de dispersão, tratando‐se de variáveis que os modelos matemáticos, abertamente, ainda desconsideram (Figura abaixo). Dessa forma, a determinação da intensidade dos prejuízos à biodiversidade, em função das mudanças climáticas, encontra‐se em um estágio precoce, o que significa que as perdas podem ser muito mais significativas do que se prevê, atualmente.



Biodiversidade e Unidades de Conservação na Região Metropolitana do Rio de Janeiro: Apreciação Geral das Wulnerabilidades Face às Mudanças Climáticas.
Giovaninni Luigi | COPPE/UFRJ
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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Mata Atlântica e as Mudanças Climáticas


A Mata Atlântica está tão fortemente vinculada com a história do Brasil, que até o nome do país tem como origem uma espécie arbórea endêmica desta formação, o pau-brasil (Cãsalpinea echinata Lam. - Leguminosã/Cãsalpinoideã). A exploração do pau-brasil foi o primeiro de uma série de ciclos econômicos - como o ciclo da cana-de-açúcar, o ciclo da mineração e o ciclo do café - que, ao longo de 500 anos, reduziram os 1.300.000 km2 de Mata Atlântica aos cerca de 100.000 km2 que restam hoje.
Além de representarem apenas 7% da área originalmente ocupada, os remanescentes de Mata Atlântica encontram-se altamente fragmentados e sob uma forte pressão antrópica, pois 120 milhões de brasileiros vivem na região. Considerando o conjunto de Unidades de Conservação federais, estaduais e municipais hoje existente, apenas 1% das áreas que ainda conservam a vegetação nativa está protegido.
Diversos autores (Salis et al 1995; Torres et al 1997; Scudeller 2002) têm demonstrado que a distribuição de espécies arbóreas de Mata Atlântica está diretamente correlacionada com características climáticas, especialmente a temperatura e a precipitação. No estado de São Paulo, por exemplo, nas áreas mais elevadas e, consequentemente, mais frias como Atibaia e Japi, a família Myrtaceã substitui a família Leguminosã em termos de importância. A mudança na composição florística dessas matas resulta em uma significativa alteração estrutural, as árvores são mais baixas e com caules, geralmente, de um diâmetro menor.
Mudanças climáticas afetam portanto não só o limite de biomas, mas também a distribuição de espécies dentro destes. As flutuações climáticas do Quaternário levaram a retração e expansão dos principais biomas brasileiros. Nos períodos mais frios e secos, que tiveram seu último pico a 18.000 anos atrás, a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica ficaram restritas às áreas hoje conhecidas como refúgios (Brown Jr & Ab'Saber 1979), enquanto que os Cerrados e a Caatinga se expandiram cobrindo boa parte do território nacional.
"A presença de espécies tipicamente amazônicas nas formações atlânticas do sul da Bahia e norte do Espírito Santo, por um lado, e a presença de espécies típicas da bacia dos rios Paraná e Uruguai, nas formações atlânticas da região Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) e no sul do Estado de São Paulo, por outro, sugerem que a Mata Atlântica passou por processos de expansão e retração em função, principalmente de variações climáticas" (Joly et al 1990). Recentemente, Forni-Martins & Martins (2000) apresentaram evidências citológicas sugerindo conexões entre a vegetação arbórea da Mata Atlântica e a dos Cerrados.
Indiscutivelmente o clima do planeta Terra oscilou significativamente nos últimos 65 milhões de anos. Estas flutuações incluem processos lentos (numa escala de 105 a 107 anos) de aquecimento ou de resfriamento impulsionados pela tectônica de placas, processos graduais, quase cíclicos, derivados de alterações orbitais (numa escala de 104 a 106 anos), em alguns raros casos alterações abruptas com transições na escala de 103 anos.
Este padrão de flutuações alterou-se, significativamente, desde a revolução industrial do século XIX, quando a Terra entrou em um processo de aquecimento em função do crescente acúmulo de gases, especialmente CO2, na atmosfera do planeta. Desde 1979, quando ocorreu a primeira Conferência Internacional sobre o Clima, pesquisas em todos os pontos do planeta confirmam que a Terra está num processo de aquecimento. Este processo, que vem sendo monitorado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate Change - IPCC) desde 1988, está provocando mudanças climáticas em uma velocidade sem precedentes, a temperatura média da Terra já subiu, pelo menos 0,5º C no último século e diversos cenários sugerem que deverá subir mais 2 ou 3º C até o fim deste século.
Junto com o aumento da temperatura temos, pelo menos para a região da Mata Atlântica, a previsão de uma diminuição significativa nos índices pluviométricos. Ou seja, dentro de 100 anos a área ocupada hoje pela Mata Atlântica será mais quente e mais seca.
Conseqüências das mudanças climáticas
A pergunta que fazemos é: haverá tempo para uma redistribuição espacial das espécies de Mata Atlântica? Seremos capazes de definir hoje onde criar Unidades de Conservação e corredores migratórios, para assegurar que dentro de 100 anos as áreas ocupadas por remanescentes de Mata Atlântica estejam protegidas e conectadas? O que vai acontecer com as espécies hoje restritas às regiões mais frias, como as identificadas por Salis et al (1995) para o estado de São Paulo?
No âmbito do Programa BIOTA/FAPESP estão sendo desenvolvidas ferramentas de modelagem preditiva da distribuição de espécies (http://splink.cria.org.br). Estas ferramentas analisam as condições específicas (temperatura, precipitação, tipo de solo, tipo de formação vegetal, etc...) dos pontos onde uma determinada espécie foi observada e registrada. Com estes dados, através de algoritmos genéticos (os dois mais utilizados são o GARP e o Biocline), o sistema determina o "nicho" da espécie. Com base nesta análise o sistema projeta outros pontos onde, potencialmente, a espécie também deve ocorrer. Este tipo de modelagem permitirá também prever as conseqüências do aquecimento global na distribuição de espécies. Isto é, poderemos utilizar a previsão das novas temperaturas médias previstas nos diversos cenários para responder não só a pergunta sobre o que vai acontecer com as espécies hoje restritas às áreas mais frias, mas como as alterações nos índices pluviométricos afetarão todo o complexo de ecossistemas que hoje constituem a Mata Atlântica sensu lato.
Apesar do significativo aumento de pesquisadores(as) e projetos de pesquisa nos diversos ecossistemas que constituem este grande complexo genericamente denominado Mata Atlântica, há uma grande carência de informações em áreas básicas para o aperfeiçoamento dessas ferramentas de modelagem. Apesar de, em alguns casos, termos informações altamente sofisticadas sobre uma determinada espécie (Aidar et al 2002), para podermos prever, com maior precisão, as conseqüências das mudanças climáticas em curso seria necessário compreendermos melhor as relações entre biodiversidade e a estrutura e funcionamento dos ecossistemas.
? preciso desenvolver sistemas de monitoramento com espécies de diversos grupos taxonômicos (plantas, animais & microrganismos) para ajudar a detectar mudanças em padrões e determinar a capacidade de dispersão e/ou migração de espécies em uma paisagem já altamente fragmentada. Estas informações são de fundamental importância para determinarmos políticas que assegurem a conservação e o uso sustentável da biodiversidade tanto imediatamente como no futuro, quando o clima for mais quente e seco.
Paralelamente, é preciso gerar uma base de dados climáticos locais que possibilitem o aperfeiçoamento dos modelos de mudanças climáticas em uma escala regional. Pois os modelos hoje existentes são extrapolações grosseiras de estimativas globais que não possuem o detalhamento necessário para uma análise mais refinada.

* Carlos Alfredo Joly é biólogo, professor do Departamento de Botânica da UNICAMP (Universidade de Campinas) e Coordenador do Programa BIOTA/FAPESP.
** Artigo originalmente publicado no site Com Ciência.

domingo, 15 de abril de 2012

Restauração Florestal da Mata Atlântica




O estado atual de devastação das florestas em regiões tropicais, e as grandes áreas degradadas, demonstram a necessidade urgente de intervenções para a reestruturação da biodiversidade e suas funções ecológicas (LAMB; ERSKINE; PARROTTA, 2005). Várias paisagens de florestas tropicais já possuem baixo potencial para manter a biodiversidade, caso seus fragmentos isolados não forem reconectados de modo a renovar a possibilidade de fluxo gênico entre eles (METZGER; DÉCAMPS, 1997). A formação da Mata Atlântica no Brasil, que inclui florestas ombrófilas densas, florestas semidecíduas e matas de galeria, é um dos maiores centros mundiais da biodiversidade tropical, assim como uma das mais ameaçadas pelo desmatamento e degradação (ENGEL; PARROTA, 2001). Atualmente, sua cobertura de florestas nativas é estimada em menos de 10% de sua extensão original (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA; INPE, 1993). Com relação às áreas protegidas, elas cobrem menos de 2% do bioma original, e as unidades de conservação de proteção integral protegem atualmente apenas 21% das florestas remanescentes (TABARELLI et al., 2005). Para os biomas onde o funcionamento ecológico foi comprometido e uma grande parte da biodiversidade nativa tornou-se seriamente ameaçada, como é o caso da Mata Atlântica, é preciso realizar uma restauração ecológica em larga escala (RODRIGUES et al., 2010). Um exemplo desta abordagem é "O Pacto de Restauração da Mata Atlântica", um ambicioso programa que visa recuperar 15 milhões de hectares da Mata Atlântica brasileira até o ano de 2050 (RODRIGUES; BRANCALION; ISERNHAGEN, 2009).A maioria dos estudos de restauração desenvolvidos contempla os modelos de composição de espécies, buscando compreender basicamente a sucessão secundária e as interações bióticas (CAMPOE, 2008), não se atendo aos aspectos de manejo silvicultural.
Conhecimentos básicos sobre a composição da floresta, na estrutura e dinâmica, são cruciais para fornecer diretrizes conceituais para a sua restauração, porém, ainda são limitados para muitas formações da Mata Atlântica (MORELLATO; HADDAD, 2000). Assim como acontece com outros sistemas altamente diversificados, a Mata Atlântica possui uma enorme diversidade funcional (relacionado com a biologia reprodutiva das espécies, herbivoria, competição e a atividade de patógenos) que é extremamente difícil de gerir ou restaurar (REIS; KAGEYAMA, 2003). Rodrigues et al. (2009) discorrem que para alcançar a aplicação em grande escala, visando restabelecer e manter a biodiversidade, a restauração ecológica deve ser apoiada pela pesquisa bem fundamentada sobre a ecologia dos diversos tipos de ecossistemas tropicais degradados, com especial ênfase no seu potencial de auto-recuperação, e suas respostas a intervenções projetadas para catalisar o processo de restauração. Assim, é importante destacar o papel fundamental da restauração ecológica para a conservação da biodiversidade, com o objetivo não só de manter a biodiversidade nativa nos fragmentos florestais remanescentes, como também de retardar a degradação florestal a que eles estão expostos (CHAZDON, 2008). Algumas dessas terras degradadas, localizadas próximas aos remanescentes florestais (fonte de propágulos e animais), podem naturalmente se recuperar e serem rapidamente revertidas para florestas secundárias, se as pressões como o fogo, e o pastoreio de gado forem reduzidos (LAMB, 1998), porém, existem outros locais mais isolados ou severamente degradados os quais exigirão alguma forma de gestão que facilite sua recuperação (LAMB; ERSKINE; PARROTTA, 2005; PARROTTA; TURNBULL; JONES, 1997). Portanto, há a necessidade de desenvolver técnicas de restauração florestal nestas regiões que sejam de baixo custo de implementação e fornecem algum nível de retorno econômico direto e a curto prazo para os agricultores e proprietários rurais (ENGEL; PARROTA, 2001). As plantações florestais podem exercer o papel de catalisadoras da regeneração natural, em que as árvores representam apenas a estrutura florestal, facilitando a colonização das comunidades de epífitas, lianas, arbustos e ervas, o que aumenta a diversidade de nichos, para a conquista da fauna (PARROTTA, 1997).
Um fator importante a ser considerado em áreas de plantios de restauração florestal é o manejo silvicultural adotado, o qual possui o objetivo de eliminar, ou minimizar, os estresses ambientais nutricionais, hídricos ou de competição, que sejam obstáculos ao desenvolvimento das árvores nos ambientes degradados, e também possibilita o efeito catalítico para reabilitação do sistema florestal (ENGEL; PARROTTA, 2003; PARROTTA; TURNBULL; JONES, 1997). Stape et al. (2006) desenvolveram estudos de restauração florestal que não só avaliam fatores como composição florística e espaçamento de plantio, mas também, o fator manejo do povoamento, onde são empregadas práticas silviculturais intensivas, de preparo de solo, fertilização e controle de plantas invasoras, visando reduzir o estresses ambientais, como uma tentativa de auxiliar no estabelecimento e desenvolvimento dos plantios, acelerando os processos ecológicos que levam à restauração de áreas degradadas.

Paisagens da Mata - Os Ecossistemas

Apesar de originalmente formar uma floresta contínua, até recentemente existiam diferentes denominações para a Mata Atlântica. Essas denominações eram baseadas em diversos pesquisadores que agrupavam as formações florestais de acordo com seus próprios critérios de considerações fitofisionômicas e florísticas. Quando a Constituição Federal de 1988 conferiu à Mata Atlântica o status de Patrimônio Nacional, a definição de quais áreas fazem parte do bioma passou a ser preponderante para a política de conservação. Para tanto, um seminário com pesquisadores e especialistas nos diferentes ecossistemas do bioma, organizado em 1990, pela Fundação SOS Mata Atlântica, além de critérios fitofisionômicos, considerou os processos ecológicos entre os diversos ecossistemas, tais como a relação entre a restinga e a mata, o trânsito de animais, o fluxo de genes de plantas e animais e as áreas de tensão ecológica (onde os ecossistemas se encontram e vão gradativamente se transformando).
O referido seminário demonstrou que o bioma era muito maior do que se pensava, pois até então se considerava Mata Atlântica apenas a floresta ombrófila densa. Como resultado do encontro, foi definido o conceito de Domínio da Mata Atlântica para as áreas que originalmente formavam uma cobertura florestal contínua. Após algumas reformulações, essa definição foi reconhecida legalmente pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), em 1992 e incorporado ao Decreto 750 de 1993. Hoje este conceito é reconhecido pela Lei 11.428, sancionada em 22 de dezembro de 2006.

Os Ecossistemas que formam o Bioma da Mata Atlântica e que conferem uma grande diversidade à paisagem são:

  • Floresta Ombrófila Densa - Estende-se do Ceará ao Rio Grande do Sul, localizada principalmente nas encostas da Serra do Mar, da Serra Geral e em ilhas situadas no litoral entre os estados do Paraná e do Rio de Janeiro. É marcada pelas árvores de copas altas, que formam uma cobertura fechada.
  • Floresta Ombrófila Mista - Conhecida como Mata de Araucária, pois o pinheiro brasileiro (Araucaria angustifolia) constitui o andar superior do floresta, com sub-bosque bastante denso. Reduzida a menos de 3% da área original, sobrevive nos planaltos do Rio Grabde do Sul, Santa Catarina e Paraná, e em maciços descontínuos, nas partes mais elevadas de São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais.
  • Floresta Ombrófila Aberta - A vegetação é mais aberta, sem a presença de árvores que fechem as copas no alto, ocorre em regiões onde o clima apresenta um período de dois a, no máximo, quatro meses secos, com temperaturas médias entre 24° C e 25° C. É encontrada, por exemplo, em Minas Gerais, Espirito Santo e Alagoas.
  • Floresta Estacional Semidecidual - Conhecida como Mata de Interior, ocorre no Planalto Brasileiro, nos estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Alguns encraves ocorrem no Nordeste.
  • Floresta Estacional Decidual - É uma das mais ameaçadas, com poucos remanescentes em regiões da Bahia, Minas Gerais e Piauí. Sua vegetação ocorre em locais com duas estações bem demarcadas: uma chuvosa, seguida de longo período seco. Mais de 50% das árvores perdem as folhas na época de estiagem.
  • Campos de Altitude - Normalmente ocorrem em elevações e em linhas de cumeadas, associados ou não a fragmentos florestais. A vegetação característica é formada por comunidades de gramíneas, em certos lugares, interrompida po pequenas charnecas. Frequentemente nas maiorres altitudes ocorrem topos planos ou picos rochosos, como no Parque Nacional de Itatiaia (localizado entre o Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais).
  • Brejos Iterioranos - Ocorrem como encraves florestais (vegetação diferenciada dentro de uma paisagem dominante), em meio à Caatinga e têm importancia vital para a região nordestina, pois possuem os melhores solos para a agricultura e estão diretamente assosciados à manutenção dos rios. São também conhecidas como "serras úmidas".
  • Manguezais - Formação que ocorre ao longo dos estuários, em função da água salobra produzida pelo encontro da água doce dos rios com a do mar. É uma vegetação muito característica, pois tem apenas 7 (sete) espécies de árvores, mas abriga uma diversidade de microalgas pelo menos 10 (dez) vezes maior.
  • Restingas - Ocupam grandes extensões do litoral, sobre dunas e planícies costeiras. Iniciam-se junto à praia, com gramíneas e vegetação rasteira, e tornam-se gradativamente mais variadas e desenvolvidas à medida que avançam para o interior, podendo também apresentar brejos com densa vegetação aquática. Abrigam muitos cactos, orquídeas.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Mata Atlântica

A Mata Atlântica é um bioma presente na maior parte no território brasileiro, abrange parte de outros países como Paraguai e da Argentina. São ecossistemas que apresentam árvores com folhas largas e perenes; essas árvores por exemplo atingem alturas em torno de 20 a 30 metros de comprimento.
Ela acompanha toda a linha do litoral brasileiro do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte (regiões meridionais e nordeste). Nas regiões Sul e Sudeste a Mata Atlântica chegava até a Argentina e o Paraguai. 
Este bioma cobria importantes trechos de serras, e unia-se com a Floresta Amazônica no norte do Brasil. A partir do momento em que começou o seu desmatamento, principalmente a partir do século XX, ela foi extremamente reduzida e tornou-se uma das florestas mais ameaçadas do globo. Os poucos fragmentos que ainda constituem este bioma, ainda abrigam grandes quantidades de espécies que formam deste ecossistema uma área importante de pesquisa e preservação.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Prejuízos da devastação

Em 18/12/08 o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) juntamente com a Fundação SOS Mata Atlântica divulgaram levantamento baseado em imagens satélite sobre o desmatamento na mata Atlântica nos últimos três anos nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

"Atualmente o bioma está reduzido a menos de 8% de sua extensão original, dispostos de modo esparso, ao longo da costa brasileira e no interior das regiões Sul e Sudeste, além de fragmentos no sul dos Estados de Goiás e Mato Grosso do Sul e no interior dos estados do Nordeste.
A dinâmica da destruição foi mais acentuada durante as últimas três décadas, resultando em sérias alterações para os ecossistemas que compõem o bioma.
Houve extinção de espécies, mudanças no micro-clima e o regime de escoamento dos rios foi alterado em função da perda de cobertura vegetal e destruição da mata ciliar.
Ao longo de todo sua extensão, a Mata Atlântica apresenta uma variedade de formações, engloba um diversificado conjunto de ecossistemas florestais, acompanhando as características climáticas da vasta região onde ocorre, tendo como elemento comum a exposição aos ventos úmidos que sopram do oceano. Segue um breve descritivo destas diversas formações:
Próximo aos oceanos estão as planícies de restinga, dunas, mangues, lagunas e outros estuários de menor proporção. Os mangues estão presentes às margens das lagunas ou de rios de água salobra, variando conforme as marés. Eles são considerados os berçários de grande parte da vida marinha.
Na Região Sudeste está presente a Serra do Mar com uma grande cobertura vegetal e constituindo uma verdadeira muralha, ou ainda, o primeiro degrau dos planaltos do interior. Em função das suas várias reentrâncias, toda costa marítima da Serra do Mar é constituída de baías e enseadas.
Já na Região Sul e Sudeste, destacam-se vários dos mais importantes sistemas lagunares do Brasil, com a Lagoa Patos e Mirim, no Rio Grande do Sul e o Lagamar, em São Paulo entre vários sistemas menores espalhados pelo Brasil.
Na Bahia, grande parte da Mata Atlântica fica restrita à região litorânea, mas ao Sul do Estado ela avança para os planaltos do interior em diversos patamares, como se fosse uma grande escadaria."


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